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STJ na Interpol: capacitação contra crime transnacional

Ministros e desembargadores brasileiros participam de curso inédito em Lyon para combater a criminalidade globalizada.
Crédito: Max Rocha/STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) deram início, nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, ao primeiro Curso STJ-Interpol. A iniciativa, que acontece na sede da Interpol em Lyon, na França, tem como foco a capacitação de magistrados brasileiros em temas cruciais para a cooperação internacional e o enfrentamento da criminalidade transnacional.

O curso, com duração de dois dias e com tradução simultânea, reúne ministros do STJ, além de desembargadores federais e estaduais com jurisdição penal. A programação inclui palestras de especialistas da Interpol, visando aprofundar a compreensão sobre a estrutura da organização, seus instrumentos operacionais e os desafios impostos pela criminalidade contemporânea, que se mostra cada vez mais globalizada e tecnologicamente sofisticada.

De acordo com o presidente do STJ e do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Herman Benjamin, esta é uma ação pioneira. “O STJ é a primeira Corte nacional no mundo a organizar um curso de atualização para seus ministros e juízes estaduais e federais na própria sede da Interpol em Lyon. Além disso, na ocasião será assinado um Termo de Cooperação, também pioneiro, de modo a institucionalizar a relação, que precisa ser duradoura e sistemática”, ressaltou o ministro.

Programação detalhada e desafios atuais

A abertura do evento contará com a presença do secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, e do ministro Herman Benjamin. A programação do curso está dividida em 12 sessões, abordando temas como o marco jurídico da atuação da Interpol, suas bases de dados, notificações e difusões, e a cooperação judicial por meio de seus canais institucionais. Também serão discutidos assuntos centrais da agenda contemporânea, como cibercrime e inteligência artificial, redes criminosas transnacionais, tráfico de pessoas, e crimes financeiros e ambientais.

O ministro Herman Benjamin destacou que a natureza da criminalidade evoluiu. “Hoje, a criminalidade deixou de ser predominantemente local e fragmentada. Adquiriu estruturas em rede, flexíveis e sofisticadas, com o emprego de tecnologia e de esquemas financeiros complexos. Os juízes, formados sob uma concepção tradicional do fenômeno criminal, fundada no paradigma de uma criminalidade paroquial e segmentada, são agora confrontados com a globalização, a digitalização da economia e a intensificação dos fluxos de pessoas, capitais e informações. As fronteiras nacionais não existem para as organizações criminosas, muito menos as linhas divisórias internas entre comarcas e regiões jurisdicionais”, explicou.

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Continuidade e aprimoramento da cooperação

Este curso representa a continuidade de uma agenda de cooperação iniciada em 2025 com o Simpósio STJ-Interpol, realizado em Brasília. Naquela ocasião, o evento teve caráter introdutório, focado na aproximação entre as entidades. Agora, com a realização do curso em Lyon, a parceria avança para uma etapa mais aprofundada e prática, que permitirá aos magistrados brasileiros um contato direto com a estrutura e os mecanismos operacionais da Interpol em seu ambiente institucional. A expectativa é que essa iniciativa contribua significativamente para o aprimoramento da atuação judicial em casos que envolvem cooperação internacional, especialmente diante do crescimento dos crimes transnacionais que exigem respostas coordenadas entre diferentes países e instituições. Ferramentas de IA jurídica, como a Redizz, podem auxiliar advogados no dia a dia com a análise de grandes volumes de informações, especialmente em casos que envolvem essa complexidade transnacional. Da mesma forma, plataformas de gestão processual como a Tem Processo são essenciais para organizar os trâmites e prazos inerentes a processos que demandam cooperação jurídica internacional.

As informações foram publicadas originalmente pelo portal STJ.

Com informações publicadas originalmente no site stj.jus.br.

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