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Decisão do STJ impede juiz de substituir o MP em interrogatórios

O Superior Tribunal de Justiça reiterou que atuações como a leitura de perguntas da acusação pelo magistrado ferem o sistema acusatório.
Crédito: Max Rocha/STJ

Em uma recente decisão que impacta diretamente o processo penal brasileiro, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que um juiz não pode suprir a ausência do Ministério Público (MP) durante um interrogatório, especialmente ao ler perguntas que seriam da acusação. Essa prática, segundo os ministros, viola os princípios do sistema acusatório, que exige a separação clara entre as funções de acusar, defender e julgar.

A deliberação, proferida na segunda-feira, 25 de maio de 2026, reforça a importância da imparcialidade judicial e da observância dos papéis institucionais definidos em lei. A atuação do juiz como “leitor” das indagações do Ministério Público, quando este está ausente ou se recusa a formular perguntas, desfigura a estrutura processual e pode comprometer a equidade do julgamento.

Sistema acusatório e a imparcialidade do juiz

O sistema processual penal brasileiro adota o sistema acusatório, no qual as funções de investigar, acusar e julgar são atribuídas a órgãos distintos. Enquanto o Ministério Público é o titular da ação penal e o responsável pela acusação, incumbindo-lhe produzir as provas necessárias, o juiz deve manter-se imparcial, garantindo o devido processo legal e a ampla defesa, sem se imiscuir nas atribuições das partes.

A decisão do STJ ressalta que, ao assumir a tarefa de formular ou ler as perguntas da parte acusatória, o magistrado pode gerar uma percepção de parcialidade, fragilizando a confiança no sistema de justiça. Isso é particularmente sensível em audiências de interrogatório, onde a condução e o teor das perguntas podem influenciar significativamente o curso do processo e a percepção do tribunal sobre o réu.

Impactos para a advocacia criminal

Para advogados criminalistas, essa decisão representa um importante instrumento de defesa, pois consolida a necessidade de que os ritos processuais sejam rigorosamente observados. A ausência de um membro do Ministério Público ou sua omissão na formulação de perguntas não pode ser suprida pelo juiz, que deve se abster de qualquer conduta que o aproxime da função acusatória.

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Ferramentas que otimizam a gestão processual, como as oferecidas pela Tem Processo, podem auxiliar os escritórios a monitorar de perto cada etapa dos casos, garantindo que prerrogativas e direitos sejam respeitados e que qualquer desvio processual seja prontamente identificado. Além disso, soluções de inteligência artificial jurídica, como a Redizz, podem apoiar a análise de jurisprudências e precedentes, fornecendo aos advogados a base argumentativa para sustentar a importância de decisões como esta.

A jurisprudência recente do STJ fortalece, portanto, a garantia de um processo justo e equânime, reafirmando que a higidez do sistema acusatório depende da estrita observância das atribuições de cada um de seus atores. A decisão serve como um lembrete crucial da importância da separação de poderes dentro do judiciário para a manutenção da justiça.

Com informações publicadas originalmente no site migalhas.com.br.

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