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Rodrigo De Brito: Da superação à excelência: a Inspiração de um advogado negro no cenário jurídico

A trajetória de um profissional que transformou desafios em oportunidades, consolidando-se como uma voz ativa na advocacia carioca.

A história de vida e carreira do advogado que começou sua jornada como office boy no escritório Volpato Andrade é um testemunho inspirador de resiliência e determinação. Em 2004, ele iniciou sua trajetória em um ambiente jurídico que enfrentava dificuldades, mas que, paradoxalmente, se tornou o berço de sua paixão pelo Direito. Com a quebra do escritório e a saída de muitos advogados, ele assumiu novas responsabilidades, ganhando familiaridade com o universo jurídico. Essa experiência prática despertou nele o desejo de ingressar na faculdade de Direito, um sonho que parecia distante para alguém sem referências acadêmicas na família e sem modelos negros na profissão. Em 2007, matriculou-se na SUESC, onde não apenas adquiriu conhecimento técnico, mas também formou laços importantes que moldaram sua visão de mundo. Hoje, como advogado formado e atuante em Bangu, Rio de Janeiro, ele se destaca por seu engajamento nas causas da OAB e por seu compromisso em pavimentar um caminho de inclusão e representatividade na advocacia. Sua trajetória é uma poderosa reflexão sobre a importância da diversidade e da persistência no campo jurídico.

Quais foram os fatores determinantes que o motivaram a ingressar na carreira jurídica, considerando sua trajetória inicial como office boy?

Ah, adentrar na advocacia foi uma questão de conhecimento, né? Fui muito apoiado pelos meus amigos da época, né? Os amigos que trabalhavam comigo no escritório, os amigos que vivenciavam a minha vida naquela época. E ali eu entendi que… eu tinha uma frase em mente, né? Que a gente só tem o nome e a profissão. Eu já tinha o nome, eu já era um CPF. Então, eu precisava ter uma profissão. Enquanto negro, enquanto cidadão, enquanto participante da sociedade. E como eu já estava inserido no meio do direito, eu decidi trilhar esse caminho. E graças a Deus, consegui chegar aonde estou hoje. Que ainda é muito pequeno, mas já é um caminho.

Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao longo de sua trajetória profissional e como conseguiu superá-los?

O primeiro grande desafio, foi a questão financeira. Todos os meus amigos de escritório, eles eram, em sua maioria, da Zona Sul. E eu, apesar de morar na Zona Norte, morava muito distante. os acontecimentos, eram todos lá para a Zona Sul. Então, ficava difícil de comparecer e até de participar. E a segunda questão era a questão da cor da pele, né? Nenhum estagiário amigo meu era negro. Tive alguns, tive ao longo da trajetória, mas eram poucos. Então, a questão da identificação também era muito difícil. Mas a gente tem os obstáculos e temos que superá-los, né? Se eu fosse ficar pensando nisso o tempo todo, ah, eu não vou porque eu sou negro, eu não vou porque eu não tenho dinheiro, eu não ia sair do lugar. Então, eu tentava, da minha maneira, transpor esses obstáculos. Pedindo emprestado, guardando. E com relação à cor da pele, era uma coisa que nós percebíamos enquanto negro, mas tentava nos mostrar que nós éramos muito acima daquilo ali e melhor do que eles pensavam.

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Como você avalia suas contribuições ao campo jurídico até o momento, especialmente no que diz respeito às suas publicações ou livros?

As minhas contribuições no campo jurídico começaram há pouco tempo. Tenho a minha trajetória sozinha, trabalhando de maneira autônoma ali na pós-pandemia, dentro da pandemia que foi em 2020, e após que eu me engajei nesse sistema OAB, fui agraciado com presidência da Comissão de Mentoria Jurídica da OAB de Bangu, estou presidente da Comissão de Mentoria Jurídica da OAB de Bangu e a grande contribuição que nós estamos dando para os advogados aqui, tanto os novos quanto os mais experientes, é a questão do conhecimento, trazendo pessoas renomadas e bem avalizadas em sua área de trabalho que estão passando o conhecimento adiante, que conhecimento nunca é demais. Então, até o presente, o grande legado que eu tenho conseguido trazer, sobretudo para a advocacia aqui de Bangu, é o conhecimento, juntamente com a nossa Comissão de Mentoria Jurídica e a nossa presidência aqui, a doutora Natália Azevedo.

Qual é a sua visão sobre o futuro da área jurídica em que atua e quais tendências emergentes você acredita que moldarão essa especialidade?

Falando como um futuro da advocacia em geral, eu que sou da época da petição de papel que eu ia levar ao projé, da distribuição, que quando o processo era de Madureira, eu tinha que pegar o ônibus e ir até Madureira distribuir, quando era de Santa Cruz, Campo Grande, Bangu, enfim. Então, o grande plus, grande mudança na advocacia é a questão da informatização. A gente hoje consegue, de casa, fazer um processo em outro estado. Isso era uma coisa inimaginável quando eu era estudante. E a grande tendência agora são as inteligências artificiais, nos auxiliando, mas também a gente tem que tomar muito cuidado com as funcionalidades dela para não nos tornarmos robôs jurídicos. Está certo que o robô vai fazer o trabalho ali, mas ainda nada substitui a mente do advogado. a gente tem que olhar para o futuro, mas sempre vendo o passado, entendendo que a nossa profissão é uma profissão de pensadores. E usando o nosso pensamento, aliado à inteligência artificial, seremos grandes profissionais.

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Que conselhos você daria para novos profissionais que desejam seguir uma carreira na advocacia contenciosa?

É, a advocacia contenciosa, ela já foi, né? Eu hoje não milito mais nela, não trabalho nela, mas ela já foi a porta de entrada quase que exclusiva da maioria dos advogados novos. A não ser aqueles que já tinham uma família, advogados, surnomados, enfim. Mas a porta de entrada de todo advogado que vem, né, de baixo, é o contencioso, né? É uma área que você tem uma grande demanda, né? Geralmente são grandes empresas, né, que detêm a advocacia contenciosa, mas hoje a gente tem também o Instituto da Prejudicialização, né? Ou do Compliance. Então, eu acredito que em breve, né, não agora, mas daqui a alguns anos, a advocacia contenciosa ela vai defasar um pouco. Ela vai continuar existindo, mas não com a importância de outrora.

Como você acredita que sua experiência pessoal como advogado negro impacta sua prática profissional e sua visão sobre justiça social?

A minha experiência pessoal como advogado negro, tem insights muito diferentes de um advogado branco. Então, a minha experiência pessoal é que a gente tem que mostrar que o lugar do negro é onde ele quer estar. Influencia, porque ainda hoje existe muito racismo estrutural, então algumas pessoas ainda têm aquele receio de contratar um advogado negro por não confiar na capacidade técnica dele. A minha visão é pavimentar esse caminho, mudar essa perspectiva é lógico, é muito difícil, mas eu sei que meus antepassados, meus avós, depois dos meus pais, pavimentaram esse caminho, que eu vou continuar pavimentando, meus filhos, meus filhos vão continuar pavimentando, e para frente a gente vai reduzir muito a desigualdade, até o que um dia, que eu não vou estar aqui, ela vai acabar. Então, a minha perspectiva futurista é essa, e a justiça, ela tende a melhorar, tem que ser vanguarda desse processo, e hoje, infelizmente, ela é uma retaguarda, ela demora a se adequar aos anseios da sociedade.

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De que maneira seu envolvimento com a OAB tem contribuído para seu desenvolvimento profissional e impacto na comunidade jurídica local?

É um networking diário, perene, que a gente faz naqueles… Além de lidar com pessoas muito agregadoras, né, no seu dia a dia. E estar lá naquele… Se fazer parte da gestão da OAB, eu já fiz parte da gestão da OAB na seccional, lá na capital do Rio de Janeiro, e hoje faço parte da gestão da OAB aqui na subseção da OAB de Bangu, né. E estar lá, participar da gestão, é uma experiência muito agregadora e me trouxe um desenvolvimento profissional muito grande, por entender a função social do advogado, a questão do advogado, enquanto um ser político, né, como assim dizer, e estar inserido nessa sociedade. Nós somos transformação, transformar, nós somos objetos de transformação da sociedade, então estar na OAB, entender as prerrogativas do advogado, os direitos, os deveres do advogado, é uma experiência fundamental e foi, para mim, Rodrigo, uma experiência bem transformadora. E é muito gratificante conhecer colegas tão competentes e tão dedicados ao que fazem.

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