O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) consolidaram uma parceria estratégica voltada a transformar o Sistema de Justiça brasileiro em um ambiente mais plural e representativo. Por meio do projeto intitulado Pontes para a Cidadania: Justiça, Diversidade e Inclusão, as instituições buscam ampliar o ingresso de grupos historicamente sub-representados na magistratura, além de fomentar o aprimoramento institucional e a segurança jurídica em todo o país.
As diretrizes e os primeiros resultados alcançados pelo programa foram divulgados originalmente pelo portal STJ. Alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), a cooperação internacional concentra esforços na construção de instituições eficazes, éticas e inclusivas, promovendo o acesso equitativo à ordem jurídica.
Formação em equidade racial e novos enunciados
Uma das principais frentes de atuação da iniciativa foca na ampliação do conhecimento prático acerca da temática antidiscriminatória. Nesse contexto, o curso Enunciados de Equidade Racial: Aplicação Prática, disponibilizado pelo Centro de Formação e Gestão Judiciária (Cefor) do STJ, registrou recorde de participação com 1,6 mil inscritos. A capacitação aborda os 49 enunciados formulados pelo Conselho da Justiça Federal (CJF) e passou a abranger não apenas magistrados, mas também servidores públicos, representantes da sociedade civil organizada e entidades de defesa dos direitos humanos.
Para expandir o intercâmbio técnico internacional e disseminar boas práticas para além das fronteiras nacionais, o tribunal implementou ainda uma versão em espanhol do curso preparatório. A medida viabiliza o compartilhamento de metodologias e fortalece a cooperação jurídica regional sobre os parâmetros de igualdade racial no Judiciário.
Paralelamente à formação técnica, o projeto atuou no estímulo à uniformização jurisprudencial. Por meio de congressos organizados com magistrados das Justiças Federal e estaduais de primeiro e segundo graus, foram aprovados 664 enunciados jurídicos destinados a orientar a interpretação da legislação federal. O objetivo direto é mitigar a dispersão decisória, reduzir divergências interpretativas e conferir maior previsibilidade aos jurisdicionados e à advocacia.
Diálogo institucional e próximos encontros nacionais
O programa Pontes para a Cidadania também atua no apoio direto a espaços deliberativos e debates estruturantes. Entre os eventos apoiados pela parceria estão o 9º Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun) e o 6º Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e Todas as Formas de Discriminação (Fonajurd), agendados para ocorrer de 11 a 13 de novembro no Rio de Janeiro.
Nesses encontros, magistrados, pesquisadores e representantes do poder público devem debater diagnósticos, avaliar desafios persistentes e estabelecer diretrizes institucionais para o avanço da equidade racial na carreira jurídica nos próximos dez anos. A atuação conjunta busca assegurar que a prestação jurisdicional reflita a diversidade social brasileira e mantenha a integridade das garantias fundamentais.
Com informações publicadas originalmente no site stj.jus.br.